Atenção, este é um blog pessoal, eu só divulgo/resenho material QUE EU QUERO QUANDO EU QUERO. Você pode até me enviar seu trabalho ou me pedir pra upar alguma banda especifica se quiser... quem sabe eu acabo fazendo? Mas eu não me comprometo a postar/divulgar/disponibilizar NADA.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

"Quando o povo acordar, os governantes não irão dormir"

Todos que não estavam lá na noite de Quinta (13/06/2013) ficaram atônitos, na verdade demorou umas 24h até que vi blogueiros (independentes ou de sites grandes) e coletivos se manifestando sobre o que ocorrera. Só quem escrevia eram os que estiveram lá, dando depoimentos, e eu fiquei por umas 12h plantado acompanhando tudo horrorizado, como muitos outros, só atentos e chocados, não podendo fazer mais do que compartilhar pela internet o que estava acontecendo...

Realmente eu não sei que foco dar a esse texto, é tanta coisa! Sabe, não quero discutir politica, a proposta do MPL, o tanto de gente que já quer puxar toda essa manifestação pras idiotices da direita como aquela parada de Preço Justo, Cansei, Dia do Basta - Contra a Corrupção (que não é contra o sistema que gera e favorece a corrupção) e até pelo "Transporte Livre" (pra exploração capitalista), mas uma coisa que devo evidenciar é como todos estão confusos ao verem uma manifestação apartidária que não foi promovida pela mídia... é tragicômico ver a Veja e o Conversa Afiada usando a mesma linha editorial pra falar sobre as manifestações, claro, um culpando o PT e o outro culpando o PSDB, mas ambos tentando falar que é manobra politica etc etc.
Os partidos que tão dentro das manifestações, como PSOL e PSTU, querem agir como lideranças, e até já começaram a criticar os anarquistas e apartidários, e no meio vem toda essa galera anti-tumulto falando que não pode ter baderna, não pode responder à policia, que tem que todo mundo ir protestar de branco levando a bandeira nacional e ir cantando o hino, achando que isso é Diretas Já ou Caras-Pintada que nada mais foram do que manifestações que iam COM a maré e total apoio burguês e midiático, gente que acha que todos os direitos civis e trabalhistas foram conquistados com flores e conversas e não com muito suor e sangue.

A manifestação da Terça-feira (11/06) foi fortemente criticada pela mídia, se falou muito de vandalismo mas pouco sobre a violência da policia, e toda a mídia pediu uma ação mais dura da policia. Foi ai que na Quinta-feira cerca de duas duzias de repórteres dessa mídia foram presos, espancados, intoxicados e alvejados por balas de borracha, então grande parte dela mudou seu tom e sua postura - exceto alguns veículos babacas como a Veja que não podíamos esperar diferente, só mudou o tom pra tentar manipular as manifestações depois - com os papos contra a corrupção mas pró sistema capitalista.
Na Terça mesmo já havia um vídeo de um bando de animais fardados agredindo covardemente um jornalista - que ainda ficou preso  arbitrariamente por quase três dias -, mas como o cara era só de uma ONG não se falou nada. (você pode observar o ocorrido a partir dos 40 segundos)


Do pessoal que foi preso na Terça foi decretado uma fiança de R$20mil para serem soltos, curiosamente o mesmo valor que a Justiça de São Paulo havia colocado para um bêbado que havia atropelado e matado uma grávida no começo do ano, então podemos ver que, para a Justiça de São Paulo, se manifestar na rua é um crime gravíssimo, tão grave quanto dirigir bêbado e matar uma mulher grávida.
Ainda alguns dos presos foram acusados de formação de quadrilha para impossibilitar a fiança, e ouvi de relance num jornal da TV que estariam sendo mandados para presídios no interior do estado, mas não posso confirmar porque não vi mais nada sobre isso.
Aqui um depoimento de um dos presos:


"Estava com uma conhecida na manifestação pela redução das tarifas do transporte público, a manifestação havia chegado à Avenida Paulista e o conflito entre manifestantes e policiais começava a se tornar bastante violento, foi então que eu e esta conhecida resolvemos correr e virar na rua Brigadeiro Luis Antonio sentido jardins e esperar a poeira abaixar.
Permanecemos por alguns minutos e voltamos pouco depois para a Paulista para encontrar outros amigos e voltar para casa, quando chegamos na esquina com a Paulista havia cerca de doze policiais da ROCAM parados, não me abalei já que estava apenas aguardando uns amigos para voltar para casa, nesse momento dois manifestantes que se encontravam na esquina nos dirigiram a palavra e falaram algo sobre manifestação os policiais ouviram e rapidamente sacaram suas armas e apontando de forma incisiva para nossas cabeças dizendo "estavam na manifestação, né? Não tem jeito vão ser levados sim bando de vagabundo".
A partir disso se iniciaram momentos terríveis  Fui levado a 78º DP e passei uma noite sendo chamado de vagabundo e formador de quadrilha, após esta noite sem ter o direito a falar com familiares fui conduzido pela manhã ao 2º DP onde novamente sofri algumas humilhações verbais. Ainda em jejum (estava sem comer nada desde a noite anterior) fui conduzido algemado com outros presos para o CDP Belém onde permaneci por uma hora preso com manifestantes e presos comuns ainda em jejum. Quando aguardava a comida ansioso um carcereiro isolou os manifestantes em um cela separada úmida e fria sem colchões e quando finalmente a comida ia chegar (estava quase 24 horas sem comer) fomos informados que éramos inimigo numero do Estado e deveríamos ser transferidos de forma sigilosa (ainda sem poder comer nem falar com meus familiares) antes de entrar no veículo, perguntei aos condutores para onde estávamos sendo levados. a resposta veio seca: "para Rondônia". Ainda com muita fome, questionei sobre a hora da comida com um sorriso no rosto, ele disse ironicamente que iria passar no Mc Donalds. Seguimos viagem e o trajeto foi bastante complicado e um auto-falante emitia “recados” para provocar medo.
Chegamos à Penitenciária de Tremembé, onde finalmente pudemos comer e permanecemos, de um jeito um pouco mais tranquilo, durante dois dias (Quinta e Sexta-feira), sob regime fechado como presos comuns" Júlio Camargo



Da manifestação da quinta devo destacar duas fotos que marcaram quanto a imprensa:

(essa última pra quem não sabe é uma jornalista da Folha que tomou um tiro de bala de borracha no olho de um carro da ROTA que passava, nem na manifestação ela estava mas foi atingida por um animal de farda - pra ser justo, seu patrão pediu por mais "rigor" da policia.
ps: mesmo sendo de borracha, não se pode atirar na cabeça das pessoas - mas foi só isso o que a policia fez)

Tem também esse vídeo que mostra novamente a ação desses animais atacando sem motivo algum um grupo de pessoas que filmavam a manifestação (nesse vídeo também é possível ver quem é que estava quebrando as vidraças - com balas e bombas)



Outra coisa marcante e tragicômica foi a questão do vinagre, as pessoas foram presas por estarem com vinagre! Inclusive jornalistas:


De acordo com relatos, antes das manifestações cerca de 40 pessoas já haviam sido presas por portar vinagre, amigos meus também foram presos, e sem sentido algum, outro ato totalmente arbitrário e absurdo pelo qual toda a corporação e seus comandantes deviam responder severamente, mas nada acontece.
obs: Vinagre ajuda a combater o ardor provocado pelas bombas de gás lacrimogêneo.

Bom, agora quero colocar alguns relatos que pude acompanhar sobre o que acontecia:


"Eu tava lá, e vi de perto, a menos de cinco metros, a policia iniciando com toda a violência, o primeiro tiro, a primeira bomba, o primeiro grito, uma violência absurda, e vi cinco policiais arrastarem uma guria para o camburão enquanto um deputado coxinha assistia de camarote rindo... vi coisas hoje que nunca ninguém deveria ver, vergonha demais do governo!" William Wowo Gomes


"Trabalho na esquina da Paulista com Augusta, em São Paulo. Estou acostumado à presença de emissoras de TV, produção de fotografia, manifestações, performances etc. É nosso cotidiano na esquina da America do Sul. Por isso não foi surpresa quando hoje, tomando um cafe no botequim embaixo do meu prédio, vi na TV Globo as cenas de verdadeira guerrilha urbana, manifestantes colocando fogo nas ruas, cores dramáticas, narração idem, Apocalipse Now.
Olhei pra fora do boteco o que vi? Nada. Apenas os carros policiais, helicópteros, câmeras de TV, coisas a que estamos acostumados, cenas para TV, se me entendem. Tudo bem. Nada estranhando, voltei para o escritório, seis andares acima.
Por volta das seis da tarde, a TV do escritório mostrava mais cenas dessa guerra que eu não reconhecia como real. Tudo bem, estávamos acostumados a glorificação da Paulista, cenário idealizado etc. Comentei com meu sócio, Abel Coelho, sobre o exagero dessa cena para TV, visto que não avistamos um só manifestante, uma só bomba caseira, um só morteiro de Santo Antônio. Tudo bem, não fosse pelo que se seguiu.
Saí do prédio, tranquilo e calmo, desdenhando da ligação de Rita, minha mulher, que, assistindo a Rede Globo, me ligou para tomar cuidado, etc. e tal. Sorri do exagero dela e desci o elevador rumo a estação Consolação do Metrô, que fica bem defronte a portaria do prédio. Para minha surpresa, a estação estava fechada. Guardas me avisaram “volte até a estação Trianon/Masp, se quiser embarcar”. Achei um exagero, protestei, quando me volto para o lado esquerdo da Paulista e vejo pessoas vindo de mãos levantadas, fotógrafos com as câmeras suspensas, e, antes mesmo que pudesse me dar conta desse exagero, cerca de seis motocicletas irrompem pela nossa calçada, em velocidade e impetuosidade, atropelando pessoas, seguida de dezenas de cavalos, ao que todos, assustados e, alguns de nós, já em estado de pânico e estupor, encostam-se nas marquises.
Quando fui protestar, os soldados da Policia Militar, com cacetetes batendo em seus escudos, foram nos empurrando, e, particularmente em mim, bateu com um cacetete nas costas, sem que eu pudesse pelo menos perguntar onde poderia tomar o Metrô. Uma truculência e humilhação a que não tinha presenciado nem nos momentos mais duros do regime militar.
Depois destes momentos de verdadeiro terror, e – note-se – sem que eu visse nenhum “manifestante”, nada, ninguém, fomos empurrados para a rua Bela Cintra, privados de explicação, do direito de escolher nosso caminho, de sequer perguntar o porque dessa violência gratuita, única, exclusiva da Policia Militar do Estado de São Paulo, vi uma barricada na esquina com a Luis Coelho, com coisas que me parecerem colchões e pneus, queimando. Adivinhe quem colocou fogo? Isso mesmo, a Policia Militar de São Paulo, disfarçadamente.
A mim restou descer a Rua Augusta, entre perplexo e assustado, ligando para a família, para me garantir – como nos tempos da ditadura -, dando minha localização, sem o direito de decidir meu caminho, meu rumo, meu destino. Na descida da Augusta localizei, afinal, o motivo de toda essa movimentação da tropa de choque da PM que bate em empresários e trabalhadores: cerca de 20 rapazes e meninas – lembra dos barbudinhos da PUC? – armados de um perigosíssimo megafone e algumas camisetas, pedindo calma e paciência, fugindo do confronto direto com a Policia que, ameaçadora e assustadoramente, com um aparato que não vi nem no Largo São Francisco no tempo da ditadura, repito, fechava a Paulista, fazendo uma cena de guerra para as câmeras de TV.
A mim restou descer a Augusta até a Praça da Sé, resignado, com a marca do cacetete da policia de Geraldo Alkmin nas costas, e a humilhação que devem ter sentido meus amigos desaparecidos, os professores que apanharam de Mario Covas, Dilma Russef e outros tantos que agora são criminalizados por esta mesma força que teima em transformar rebeldia em anarquia, protesto em bandidagem, política em caso de polícia. E o pior: além de marcarem nossas costas com o cassetete da estupidez, roubam de nossos filhos a possibilidade de exercer a mais nobre das faculdades humanas, que é o espírito crítico e de liberdade." Elcio Fonseca



"Amigos e, principalmente, meus filhos, estou em casa, finalmente. Eu não vou escrever nada mais sobre o que aconteceu hoje. Só tenho uma coisa a dizer. Em todos os meus anos de militância em movimentos sociais, que envolveram muitas passeatas, nunca, nem mesmo sob a ditadura militar recente no país, eu nunca presenciei uma repressão policial tão violenta quanto a de hoje.
Milhares de cidadãos, participantes do movimento ou não, estudantes a caminho da faculdade, idosos, crianças, mulheres, cadeirantes, ciclistas, skatistas e até ambulâncias foram alvo indiscriminado de balas de borracha, bombas de gás e fumaça, cassetetes e prisões. Bastava você colocar a camisa sobre o rosto para se proteger das bombas que você era preso. Antes de ser preso, era arrastado como um troféu pela força policial. Se te parassem e você estivesse com uma bolsa e na bolsa houvesse um lenço, qualquer lenço, você ia preso. Se te encontrassem com um pouco de vinagre, isso mesmo, vinagre para poder tentar respirar sob o ataque desumano dos policiais, você era imediatamente preso.
Nós paramos em frente ao tribunal de justiça próximo a praça Roosevelt. Ali começou o cerco por três lados. Quando entramos na rua da Consolação, fomos recebidos pela tropa de choque atirando a esmo até nos manifestantes que se deitaram no chão para mostrar que não ia partir para confronto. Quando recuamos, fomos recebidos de novo a bala e bombas da tropa de choque que nos cercou na retaguarda. Quando tentamos fugir para o elevado Costa e Silva, a tropa também estava lá e atirou. Eu me abracei a uma ambulância que passava na tentativa de que eles não iriam atirar. Me enganei, e muito. Apontaram miraram e atiraram na ambulância para acertar todos que tentaram se abrigar ali. O resto foi simplesmente um massacre dos cidadãos. O GOVERNADOR DO ESTADO, SR GERALDO ALCKMIN, AUTORIZOU O MASSACRE. Este episódio entrará na história paulista como um dos atos mais vergonhosos do poder público! Até amanhã e espero que todos pensem de novo ao chamar esse grupo de manifestantes de baderneiros." Mario Silva



"Ainda com o rosto ardendo e a roupa cheirando a vinagre, quero dizer a quem está confuso sobre o que aconteceu hoje foi muito, muito sério.
Não era violenta, era pacifica. Não foi confronto, foi ataque. Não foi dispersão, foi cerco. Não foi reportada, foi mentida. Não foi distúrbio e agora tem que ser movimento social" Newton Molon



"Olá, o meu nome é Pedro Pêra, tenho 20 anos. Sou estudante do curso de Visagismo da Universidade Anhembi Morumbi.
Eu me senti menor e mais indefeso do que um rato. Naquele momento parecia que a minha vida não tinha o menor valor. Não sei exatamente o nome da rua que estava quando a policia nos encurralou, sei que é uma que cruza a Bela Cintra até a Augusta. Fecharam a rua dos dois lados, deixaram todos encurralados e começaram a jogar bomba e disparar tiros de bala de borracha no meio da multidão. Os tiros e as bombas vinham de todos os lados. Todos gritavam em couro “sem violência”, até então não havia nada que os agredisse. Friamente, quanto mais se pedia e se implorava para parar - ouvi milhões de “Pelo amor de Deus!” “Vocês não têm mãe?” - mais eles atiravam, mais aquele barulho ensurdecedor, mais a vista embaçava, mais faltava o ar. Não havia pra onde correr, gente ensanguentada, garotas desmaiando, muitos gritos. Com muita falta de ar, os olhos, o rosto inteiro e garganta ardendo eu e a minha amiga e mais algumas pessoas próximas que também não aguentaram caímos no chão em um ato de desespero o choro era involuntário pedíamos para que não machucassem mais a gente, se aproximaram junto com eles alguns jornalistas e com isso passaram pela gente sem nos machucar mais. Seguiram atirando e jogando bombas na multidão que ainda tentava escapar. Estamos caminhando para uma ditadura e isso é muito mais sério do que o que você que viu pela TV pode imaginar!
Até conseguir chegar no metrô o clima era de muita ameaça, pessoas que não tinham nada a ver, que estavam voltando do trabalho, sendo apavoradas, choro, grito, fecharam as entradas do metrô, desespero. Era possível ver o ódio e prazer no olhar deles se aproximando como se estivessem indo para uma matança. Estou mancando de uma perna, com a garganta ardendo muito ainda, tossindo e dor de cabeça por conta do gás lacrimogêneo. Vivo em um país onde a minha vida vale menos do que uma lixeira quebrada!"


Queria encontrar, mas não consegui, o depoimento de uma galera que, aparentemente, eram veterinários e correram para a manifestação com material de primeiros socorros para atender as pessoas mas foram parados pela ROCAM e foram agredidos e tiveram seu material apreendido.

E mesmo após a dissipação das manifestações a policia ainda estava nas ruas cometendo todo tipo de crimes, impondo toques de recolher, fechando bares, agredindo indiscriminadamente quem estava pelas ruas.



Alguns veículos e outros otários reacionários apoiam a ação da policia dizendo que eles estavam impedindo a depredação e vandalismo, bom, tem algumas coisas importantes a se levantar:
1 - Após os ocorridos de São Paulo diversas cidades já abaixaram suas passagens - para evitar chegar nesse ponto, mas as anteriores, como Goiânia, Porto Alegre e Teresina, só conseguiram após muitos e muitos protestos e que resultaram sim e prejuízo material aos empresários - e só depois de doer no bolso voltaram atrás.
2 - Antes dessas manifestações violentas existem reuniões, protestos, manifestações pacificas com meia dúzia de gatos-pingados.
3 - Curiosamente NÃO HÁ vandalismo quando a policia não esta presente - vide manifestação da Sexta (14/06) em Curitiba: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/14/sem-policia-protesto-contra-a-tarifa-em-curitiba-termina-sem-violencia.htm e na manifestação de Sábado (15/06) em Belo Horizonte onde a policia não atacou os manifestantes: http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/brasil/2013/06/15/sem-confronto-pm-mineira-abre-caminho-para-8-mil-manifestantes-em-bh.htm
4 - O movimento de Goiânia já havia identificado policiais a paisana entre os manifestantes criando confusão, depoimentos de São Paulo também confirmam e até de outras manifestações a própria policia admitiu ter gente a paisana entre os manifestantes.

Sem policia sem vandalismo, com policia tem violência e vandalismo, tem algum ponto aí que precisa ser ligado... não queria me prolongar nisso, mas isso é uma tática velha dos militares, desde aquela bomba que explodiu num carro durante a ditadura a diversos ataques terroristas assumidos por militares pós-anistia que eram só pra incriminar os movimentos sociais e de esquerda, o plano descoberto do Bolsonaro, no inicio dos anos 90, de colocar bombas em quarteis pra novamente culpar a esquerda e os libertários (digo, os libertários de verdade, não essa piada capitalista ai que querem chamar de libertária) até esse videozinho que já virou viral:



Aqui mais um pouco da ação da policia na Quinta-feira em São Paulo, pequeno grupo de manifestantes pacíficos sendo alvejados por estas marionetes de farda


E vale destacar essa aqui também: "Você quer desligar essa porra ou vou ter que fazer alguma coisa na sua cara?"


Pra fechar sobre esse dia - que vale lembra, também houveram protestos marcados por violência policial no Rio de Janeiro, segue um último manifesto:

"Os jornais não vão dizer que foram horas de manifestação pacífica, desde a Paulista até o terminal parque Dom Pedro.
Os jornais não vão dizer que a passeata seguiu o caminho praticamente delimitado pela força policial até ser encurralado em frente ao terminal.
Os jornais não vão dizer que após encurralar uma massa de 20 mil pessoas na frente do terminal, a incompetente força policial do estado de São Paulo atirou bombas de gás lacrimogênio no meio da multidão, gerando correria e colocando a vida de muitas pessoas em sério risco.
Os jornais não vão mostrar que o povo voltou cantando, unido, com apoio popular das janelas dos prédios, aplausos e tudo mais até a praça da Sé.
Eles não vão dizer que ao tentar se reunir novamente na praça da Sé, o povo foi atacado covardemente pela tropa de choque em frente à Catedral sem motivo algum aparente.
Nos jornais não vai aparecer que a partir daí a tropa de Choque realizou uma caça indiscriminada a qualquer transeunte, indo muito além do simples dispersar e controlar.
Nos jornais só vai aparecer que essa caça resultou na prisão de um repórter e de um fotógrafo da grande mídia.
Eles não vão contabilizar os manifestantes feridos, espancados pela polícia, machucados por estilhaços de bomba. 
Os jornais só vão mostrar os policiais feridos, como se eles tivessem sido simplesmente atacados.
Esses jornais só vão falar de vandalismo, como se isso resumisse o ato, esquecendo toda a marcha.
Os jornais não vão mostrar que o povo fugiu novamente, agora da Sé, rumo à av. Paulista, já furiosos para serem atacados em frente ao MASP de forma covarde e com armadilhas preparadas nas ruas em volta, de forma que o povo não tivesse para onde fugir sem ser atingido pelos ataques da polícia.
Os jornais não vão dizer que todo o vandalismo se concentrou em bancos e propriedades que representam o Estado.
Eles só vão mostrar uma visão simplista, classificando os atos como puro vandalismo sem propósito, escondendo a real motivação de tanta revolta.
Eles nunca vão falar que se trata de uma juventude cansada da opressão do Estado e da ditadura do sistema financeiro.
Os jornais não vão dizer que a juventude não tem perspectiva de um futuro além de se amassar em caixotes com rodas todas as manhãs indo para um trabalho que não gostam, pagar caro por isso, em troca de um salário que mal paga habitação e alimentação.
Eles nunca vão dizer que a especulação imobiliária afastou o povo trabalhador do grande centro, obrigando a necessidade de horas de deslocamento até os locais de trabalho.
A mídia corporativa já não quer informar, quer manter a ordem do sistema vigente, o tão dito 'status quo'. 
Violenta é a mídia que é incapaz de ver o ser humano quando isto não vai ao encontro de seus interesses corporativos.

Violenta é a mídia.
Violento é esse sistema doente.
Violentá uma vida sem esperança."
Bruno Burden





Na abertura da Copa das Confederações em Brasília, Sábado (15/06), também houve protestos e foram mais uma vez marcados pela violência do Estado em prol da ordem burguesa.
A presidente Dilma foi vaiada dentro do estádio, mas infelizmente nesse momento na TV só se mostrou a voz dessa galera hipócrita que estava ali sustentando o mesmo circo ao qual vaiava e não a voz de quem estava lá fora realmente se manifestando. Mais uma vez uma manifestação pacifica é cercada por animais fardados que atiram pra todo lado e perseguem e agridem e até atropelam manifestantes!




Mas acredito que o mais grave, até mais grave que os acontecimentos de Quinta em São Paulo, foram os desse Domingo (16/06) no Rio de Janeiro frente ao Maracanã, algo que ainda me embrulha o estômago só de ler os relatos e ouvir as gravações de rádio...

Foi registrado um policial usando indiscriminadamente uma arma de choque contra manifestantes que estavam pacificamente exibindo faixas frente a uma avenida.


Mas o que se segue é bem pior:


"A tropa de choque está perseguindo os manifestantes dentro da Quinta da Boa Vista, o número de policiais é absurdo! Estão lançando gás lacrimogêneo nos manifestantes que se evadiram para dentro da Quinta da Boa Vista. os manifestantes que estavam dentro do posto de gasolina foram alvejados por bombas de gás lacrimogêneo também, DENTRO DE UM POSTO DE GASOLINA acontecendo algo serão os manifestantes a serem responsabilizados, este é nosso estado democrático de direito, rasgaram nossa constituição!!! Rasgaram!!! Espalhem a notícia!" Anonymous Rio


"As rádios CBN e BandNews tiveram seus sinais cortados e substituídos pelas narrações dos jogos de futebol que estão acontecendo agora. As câmeras de vigilância pública da Prefeitura do Rio de Janeiro estão desligadas. Os manifestantes estão cercados dentro da Quinta da Boa Vista, sendo alvo de bombas de gás, de efeito moral e balas de borracha. Há famílias e crianças dentro do parque. Eles estão considerando NEGOCIAR SUA LIBERAÇÃO.
A PM sequestrou os manifestantes. Se isso não é prisão política, se isso não é massacre, se isso não é repressão autoritária EU NÃO SEI MAIS O QUE É." Raquel Hoffmann


Sim, foi aplicado censura dos meios de comunicação!
Além disso o desligamento das câmeras já mostra toda a intenção maliciosa destes lixos fascistas fardados, fora isso foi apreendido celulares e câmeras que os manifestantes portavam, uma cena tenebrosa que mostra que estamos sob uma ditadura... eu não sei dizer se os militares tão agindo por conta própria mas o Estado está completamente omisso, por tanto, conivente - se não for o mandante de toda essa violência.
Aqui as transmissões dos repórteres antes da censura, confiram o que eles narravam ao vivo:




E por fim o relato mais assustador da noite:

"Estou dentro do ônibus voltando pro Rio de Janeiro (saindo de SP) e a Policia Rodoviária Federal acabou de revistar todos os passageiros. Em 26 anos de estrada, fazendo esse trajeto, nunca vi isso acontecer. Fomos todos obrigados a sair do ônibus e deixar nossos pertences como colaboração. Depois de longos 40 minutos, fomos convidados para regressar ao interior do ônibus e encontramos nossas bolsas reviradas. Tivemos que mostrar um a um qual era nossa mala. A policial agradeceu a todos, olhou pra mim e perguntou: "você esteve presente em algum tipo de manifestação nos últimos dias ?" Respondi. Ela perguntou minha idade e pediu meu telefone. Olhou minhas fotos e meus vídeos.
Fez a mesma coisa com um outro menino e voltamos aos nossos lugares..
O ônibus pode seguir viagem.
Mas a sensação é estranha." Veronica Linder


E em meio a tudo isso, especialmente ao que acontecia em São Paulo na Quinta, está sendo negociada e votada as pressas uma Lei de Terrorismo que busca criminalizar qualquer manifestação popular, com penas de 15 a 30 anos e com uma linha especial para quem se manifestar durante os eventos esportivos que vem por aí... a votação será daqui há 10 dias, e se duvida, pode checar:
http://oglobo.globo.com/pais/votacao-de-lei-sobre-terrorismo-fica-para-dia-27-com-impasse-sobre-inclusao-de-movimentos-sociais-8679479

Quanto a isso tá rolando um abaixo-assinado do Avaaz. assinem e divulguem (e vamos juntos as ruas protestar também)
http://www.avaaz.org/en/petition/Em_poucos_dias_quem_se_manifestar_podera_ser_preso_como_terrorista


Tirem suas próprias conclusões, hoje (17/06) em São Paulo será um dia chave, após toda essa violência muito mais gente se juntou a causa, alunos de medicina se disponibilizaram a prestarem socorro em pontos estratégicos da manifestação, bem como grupos de advogados já estão prontos para atender em todas as delegacias para soltar os manifestantes, a coisa está muito mais organizada, vários outros grupos se uniram, mas mesmo assim, as previsões para hoje não são nada boas... mas pra quem tá aqui no blog por curtir um punk rock, SE VOCÊ VER UM PM CAINDO??? (acho que já sabe o que fazer....)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Autogestão

Por volta de dez anos atrás eu tava iniciando no punk - é, sou um pimpolho da cena ainda hehe - e conhecia pouca coisa, vivia no interior, não tinha internet, não conhecia ninguém que curtisse punk rock. Acho que conhecia Ratos de Porão, Garotos Podres e Cólera só de nome, eu tinha um CD do Offspring que ganhei do meu irmão e um do Dead Fish que ganhei da namorada dele, também tinha algumas coisas que consegui encontrar em lojas da minha cidade como Agnostic Front e Bad Religion, mas enfim, nada muito underground... até que um dia eu fui pra São Paulo e sozinho fui lá na Galeria do Rock e entrei numa loja, o cara me perguntou o que eu queria e eu falei "eu quero punk rock!", aí ele jogou 3 CDs na minha mão: O SUB, o primeiro do DZK, e o primeiro do Autogestão. Voltei pra casa e viajei nos sons, esses três álbuns foram uma puta influência pra mim, e acho que na época até o que eu mais ouvia era o do Autogestão, por ter um som mais melodioso foi mais fácil a adaptação à sonoridade crua do punk.

As letras do Autogestão são extremamente politizadas, sempre criticando o capitalismo, a politica, a sociedade e seu valores, algumas tratam de temas históricos e outras relatam o dia a dia, acho que a única exceção mesmo seria a Rock na Periferia que faz uma ode a diversas bandas que tocam pelas periferias de São Paulo - e mesmo a música Punk Rock fala sobre luta e resistência.
Como eu disse o som é mais melodioso, aquela linha punk 77, alguns são até mais punk rock'n'roll, valendo até musica acústica no segundo disco.
São muito sons que eu curto muito, mas uma que eu preciso realmente destacar é Juventude Perdida, que na minha opinião é uma das melhores músicas do punk nacional. Outra sensacional é o Hino de Maio, uma adaptação do Inno del primo maggio de Pietro Gori.



01 - Autogestão
02 - Juventude Perdida
03 - Real
04 - Cubatão
05 - Hino de Maio
06 - Punk Rock
07 - Subversão
08 - Ministério



01 - História Triste (Eskorbuto)
02 - Caminhos de Pedras
03 - Subversão
04 - Punk Rock
05 - Nossa Opinião
06 - Cracolândia
07 - Repressão Policial
08 - Luta & Sobrevivência
09 - Cubatão
10 - Luta Anarquista
11 - Hino de Maio
12 - Real
13 - Juventude Perdida
14 - Liberdade Vigiada
15 - O Velho Ditador
16 - Ministério
17 - Rock na Periferia
18 - Autogestão


01 - Sistema Falido
02 - Ser Governado
03 - Triste Capital
04 - Canção de Um Soldado
05 - As Vezes
06 - Antes de Las Guerras (Eskorbuto)
07 - Onde Ir
08 - Diante da Miséria
09 - O que Te Leva
10 - Primavera dos Povos
11 - Vozes
12 - Jogos de Guerra
13 - Lugar Melhor
14 - Mendigo
15 - Diante da Miséria


01 - Esperando Acontecer
02 - Catálogo de Almas
03 - Acorrentadas
04 - Vivendo na Cidade
05 - Refúgios Urbanos
06 - Castelo de Ilusões
07 - Lembranças de um Passado
08 - Meu Herói
09 - Bala de Prata
10 - Diante da Miséria
11 - Ministério
12 - Triste Capital

segunda-feira, 25 de março de 2013

Eu tenho doce, só pode, três finais de semana seguidos que colo em algum evento e ganho CDs hehehe
Cheguei ontem em casa, ainda arrumando coisas, logo começo a divulgar, resenhar e disponibilizar mais coisas aí.
Valeu ai galera do Resto de Ontem, Rebeldia Incontida, Gricerina, Autogestão e principalmente o Marcello Kaskadura pelos materais!

domingo, 17 de março de 2013

LUTO Lagarto

Nessa madrugada, covardemente, um grupo de nazistas perseguiu e assassinou um irmão nosso de Curitiba.
Esse cara me recebeu a primeira vez que colei lá, e mesmo não sendo tantos rolês juntos, todas as vezes que nos trombamos foi especial. Cara especial e cheio de amor, sempre na luta, no MPL, na Bicicletada, no Veganismo, Marcha das Vadias, nos coletivos e manifestações, e não, não era um punk ganguista, era um punk ativista, consciente e contestador... luto eterno por esse grande companheiro que caiu.

Corja Nazi vai ter seu fim. Eles podem ter o seu corpo, mas suas idéias e sua luta continua conosco, e nunca irão ter a sua, a nossa, obediência.
HOJE UM GRITO ANTI-SECTÁRIO PELA UNIÃO DOS PUNKS!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Hardly a Heartbeat & Staycore

Esse final de semana teve um evento aqui na cidade e umas bandas que tocaram estavam com demos lá, fui perguntar se rolava um escambo porque eu tinha outros CDs na mochila mas no final eles acabaram me dando umas cópias pra distribuir.
Quem acompanha meus blog sabe que esse não é o tipo de som que eu mais curto e nem costumo divulgar, mas como os caras que troquei ideia lá mostraram maior humildade e sinceridade, mostrando que tão no corre deles pelo o que curtem e acreditam, resolvi também dar uma força e divulgar aqui também.



Hardly a Heartbeat é de Piracicaba, não sei bem como definir o tipo de som porque não estou por dentro disso, mas acho que é metalcore ou screamo, se não for me corrijam hahaha
Staycore é de Santo André, pegada mais hardcoriana, meio Boston meio NY... meio youthcrew, meio moshcore... ouçam aí quem curte.

Nesse Domingo tô colando no Vegacy e vai rolar umas bandas sxe, vai ser um bom lugar pra distribuir.
Valeu aí pelo material galera!


Hardly a Heartbeat (2011)
01 - And Still Beating
02 - Breath
03 - What Left From The War
04 - Hardly a Heartbeat
05 - A Man Without Word







01 - Iluminando a Escuridão
02 - Lute Pela Sua Verdade
03 - Trauma
04 - Meretriz

sábado, 9 de março de 2013

Fora dos holofotes.

Esses tempos toda a direita nacional estava lá aplaudindo a tal "blogueira" que lutava pela democracia, pela liberdade de informação e contra a censura (censura que já foi provada não existente). Mas o que essa mesma direita está fazendo agora que sua agente de propaganda contra a esquerda saiu dos holofotes? Estão praticando a censura!
Aquela velha corja nojenta, PR, PP e DEM (e logo devem aparecer mais siglas da "luta pela liberdade"), liderados por um conhecido corrupto que não vale nada, conseguiram que o Google retire do ar textos e vídeos que "ofendam" deputados (entende-se: exponha deputados). Tá aí a notícia:

http://colunas.revistaepoca.globo.com/felipepatury/2013/03/06/justica-manda-google-retirar-do-ar-videos-e-textos-que-ofende-deputados/

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O Bombardeio da Mídia

Acho interessante ligar os pontos sobre tudo o que está acontecendo e os motivos disso, vai soar até como uma "teoria da conspiração", mas se puder, tente também ligar estes pontos sobre Yoani Sanchez.
Não vou me aprofundar nos documentos do Wikileaks que mostram seu envolvimento com diplomatas americanos e agentes da C.I.A., tão pouco como de uma zé ninguém que morava no exterior e voltou pra Cuba pra iniciar um blog em um ano ganhou dezenas de grandes prêmios importantes de jornalismo ao redor do mundo, teve sua popularidade forçada aos moldes do Cidadão Kane, com direito de milhares de seguidores fantasmas em redes sociais, nem tão pouco questionar sua imagem de perseguida pelo sistema sendo que, fazendo as mesmas coisas que tem feito em Cuba, em qualquer outro lugar do mundo já estaria presa (sim, inclusive no Brasil, onde a pena por conspirar contra o governo sendo patrocinado por outra nação é de 20 anos). Quero refletir sobre quem trouxe, porque trouxe e porque veio aqui a maior agente de propaganda do momento.
Hoje passando pelos canais de TV vi uma âncora de telejornal comentando "que negócio feio os manifestantes dos partidos de esquerda tem feito", e não é o primeiro comentário desse nível que ouço, em fato, acho que a mídia nunca cobriu tão intensamente uma manifestação assim desde os caras pintadas... alguém viu na TV a entrega da petição pela cassação de Renan Calheiros? Acho que não, mas nenhum telejornal deixou de mostrar e sensacionalizar os protestos contra a agente americana... err, quer dizer, a blogueira cubana.
Porque os meios de comunicação de massa estão fazendo tanto estardalhaço? Bom, sua vinda foi patrocinada pelo Instituto Millenium, do qual fazem parte figurinhas pequenas como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Antônio Carlos Pereira, Euripedes Alcantra, entre outros, gente que junta controla cerca de 50 nomes diferentes dos grandes meios de comunicação de massa, os mesmos que estão fazendo esse estardalhaço. Vale lembrar que este grupo não conta apenas com donos da grande mídia, mas também com banqueiros, grandes empresários e políticos - sim, temos lá o Presidente do Banco Central e membros do Ministério da Fazenda do governo FHC... e esses são os nomes revelados, mas agora acho que já deu pra entender um pouco do porque os meios de comunicação estarem sensacionalizando as manifestações.
Já vimos aí o interesse político em ter essa agente de propaganda constantemente na mídia, mas qual será o interesse dela mesmo, ou melhor, de quem está por trás dela? Agora eu volto ao Wikileaks, que pode ter passado batido ou talvez alguns não se lembrem, mas há poucas semanas atrás foi revelado telegramas da embaixada americana em que uma assessora de Serra discutia sobre a entrega do Pré-Sal às petrolíferas americanas, e assim uma mão lava a outra. Enviam uma agente de propaganda pra queimar o partido X e favorecer o partido Y, partido que quer favorecer os chefes da agente de propaganda... seria só uma "teoria de conspiração" ou realidade assusta mais que a ficção?


Há quem duvide que a Mídia Golpista seja real, mas quando até um dos maiores encarregados de trazer o circo à população para aliená-la, Pedro Bial, faz parte do grupinho sinistro que patrocinou essa mulher, há de se pensar duas vezes.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Reiketsu (A Sangue Frio)

(foto retirada do Facebook da banda)

Na ativa desde 2009, Reiketsu conta com (por ordem da foto) Tiago (Ourinhos) no vocal e baixo, Bruno (Assis) no vocal e guitarra, Saulo (Ourinhos) na bateria e Kiko (São Paulo) noutra guitarra.
A banda começou com um projeto do Bruno e do Kiko enquanto o Kolisão Frontal estava em hiato, e reclamei no post do Kolisão que só tinha um dos lançamentos deles, mas do Reiketsu não tô deixando escapar nenhum! rs


Em 2009 mesmo eles lançaram uma demo CDr, ano no seguinte lançaram um split CDr com Despues de Muerto do México, e agora nesse ano lançaram um 7'' split com Distanasia de Maringá.
O som deles é crustcore (ou neocrust), no primeiro lançamento eles chegam bem violentos, no segundo mostram umas músicas mais trabalhadas e viajadas, o terceiro a porrada volta, eles tão pra lançar um CDpro e pelo o que o Tiago me disse eles vão voltar pra aquelas musicas mais longas, viajadas e apocalipticas. Na questão de letras os caras vão ficando mais pesados e niilistas a cada lançamento, vamos ver o que nos aguarda no que está por vir, minha expectativa é que combine com o fim do mundo agendado pra este ano - mas que chegue antes dele!


Reiketsu (2009)
01 - De Que Lado Você Está?
02 - A Troco de Quê?
03 - Violência Extrema
04 - Aqui Jaz a Sua Preocupação
05 - Onde Está Nossa Frequência?
06 - Desperdício Sindical
07 - Troque Sua Vida Por Um Liquidificador
08 - Re-avaliação
09 - Aceitar o Fim
10 - Fascista


01 - Despues de Muerto - Lo Hijos Mueren
02 - Despues de Muerto - Hojas Muertas
03 - Despues de Muerto - Las Ruinas
04 - Reiketsu - Ruínas
05 - Reiketsu - Evidências de Um Ideal em Decadência
06 - Reiketsu - Sob a Sombra do Progresso





Reiketsu / Distanasia - No Fundo do Poço / s/t (2012)
Reiketsu - No Fundo do Poço
01 - Nada a Acreditar
02 - No Fundo do Poço
03 - Espetáculo da Desgraça

Distanasia - s/t
01 - Desesperança
02 - Sociedade Suicida
03 - Homem Máquina

Resenhas (5)



Necrorrosion - Unlabeled (1998)
Banda paulistana de thrash/death formada em 1990 mas com aquela pegada clássica e letras altamente conscientes, som pauleira de protesto recomendado para todos bangers, thrashers e metalheads por aí que não curtem frescurinhas de espadas e dragões.

No Sense - Out of Reality (1991)
Death/grind também formada em 90, de Santos-SP. A pegada é bem crua death/grind, e algumas horas a guitarra lembra bastante black metal, a exceção é a música Devastation and Massacre que tem uma levada mais hardcore.

Plague Rages - Eles Vivem Entre Nós (2012)
Grindcore (ou "mincecore" como alguns gostam de chamar) de São Paulo, os caras tem uma grande trajetória no cenário underground, se não me engano esse 7'' veio na bagagem da turnê na Europa deles esse ano, mas talvez tenha saído antes, não tenho certeza... bom, o som, como é de se esperar, é destruidor, grindcore muito bem dosado entre o blastbeat infernal e as pontes e as paradas onde ficam só a guitarra anunciando a volta do inferno, letras bem críticas, enfim, puta lançamento de uma puta banda.

Personal Choice - Raise Your Head (1995)
Clássico do hardcore straight edge, banda paulistana de curta duração mas de grande influência pra muita gente. Esse compacto é muito bom, hardcore nervoso rapidão estilão Minor Threat, letras bem positivas e temas relacionados à postura straight edge.

Agrotóxico / Rawside - Quebre o Silêncio (2009)
Não tem muito o que falar do Agrotóxico, uma das melhores bandas de hardcore de São Paulo, violenta e política ao extremo. Do outro lado da bolacha tem o Rawside, da Alemanha, não conhecia e curti bastante. A primeira faixa deles, Bulldog Kills, é demais, deixei esse EP vários dias na vitrola e toda hora botava pra tocar esse lado e sentava pra curtir som... mas na real quando fui prestar atenção na letra eu broxei um pouco hahaha

Entre Rejas / Rupsband - Grassroots Projects (2007)
Entre Rejas é de Santa Cruz do Sul - RS, mandam um som meio hardcore, meio grind, meio thrash, meio powerviolence, aquela barulheira massa, sabe?
Rupsband é punk hardcore holandês.


Reiketsu / Distanasia - No Fundo do Poço / s/t (2012)
Esse foi, sem dúvidas, o lançamento que mais me animou esse ano. Reiketsu é de SP (os membros tão meio espalhados pelo estado) e Distanasia é de Maringá-PR, ambas tocam crustcore, o Reiketsu tem sua pegada puxada mais para o "neo-crust" o Distanasia mais para o "d-beat", mas na real eu não me sinto muito confortável em ficar sub-classificando... logo mais vou upar esse disco e vocês conferem.
Escrevi uma resenha mais detalhada pro site Porão Brazil.




Terror Revolucionário / Defy - Morrer/Partir / s/t (2011)
Brasilia x São Paulo, também ambas bandas de crustcore, tive a oportunidade de ir num dos shows da turnê deles de lançamento deste 7'', infelizmente na ocasião eu não tinha um puto no bolso mas esse disco cruzou meu caminho de novo mês passado e dessa vez não fugiu hehehe
Bom, sobre o álbum, eu diria que o lado do Terror ficou mais hardcorizado e o do Defy mais metalzado, mas ambos dentro do crust/d-beat. Isso é bem pessoal e outra pessoa que ouvir pode ter outra impressão, como eu disse não me sinto confortável sub-classificando, mas já que tô resenhando tenho que falar o que senti ouvindo.


Violator / Bandanos - Thrashing The Tyrants (2010)
Mais uma vez Brasilia x SP. Violator thrash metal de primeira, pegada limpa e bem executada e mandam também um cover de Heresy, do outro lado o Bandanos, crossover mais sujo, e com um cover de Corrosion of Conformity - sim, claro, tem som próprio dos dois lados além dos covers. Essencial para todos os thrashers.


obs: Necrorrosion, No Sense e Personal Choice pegos com o Jacaré do Academic Worms, talvez ele não tenha mais cópias destes, mas ainda tem muita coisa foda a venda, contato dele aqui. Os splits do Agrotóxico e do Entre Rejas pego com o Lucas do Toxic Web Zine, ele tá vendendo umas coisas num preço bem camarada, quem quiser a lista envie email para blucas30@gmail.com. Plague Rages e os splits do Reiketsu, Terror e Violator pegos da Cipreste Negro.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Origem da primeira facção skinhead nazista no Brasil

E outro trabalho acadêmico! "Skinheads: Os “mitos ordenadores” do Poder Branco Paulista". Mestrado em Ciência Sociais PUC-SP  por Alexandre de Almeida, 2004.

A PUC passou a digitalizar seu acervo a partir de 2005, o que tornou um pouco difícil consegui-lo. Na verdade, eu já tinha a maior parte do livro (recebi por email), mas no arquivo não constava o seu começo, como introdução e o próprio título do livro e o nome do autor. Em uma pesquisa encontrei essa mensagem de 2010 nos arquivos das listas da IndyMedia.

"Olá,
Há alguns anos atrás, escrevi uma dissertação de mestrado sobre a formação do White Power Paulista. Após várias negativas de editoras, percebi que ela iria ficar "empoeirando" na biblioteca da faculdade Por isso, resolvi enviar o original (em PDF) à pessoas interessadas pelo tema.
Se vocês gostarem, peço que utilizem sua rede de contatos e ajude a disponibilizá-la para mais pessoas. Qualquer coisa, estou à disposição.
Um abraço.
Alexandre de Almeida."

E lá também encontrei o começo do livro e o anexei no arquivo aqui.


No primeiro capítulo o autor estuda o "surgimento dos movimentos reativos à Nova Ordem Global", pondo o capitalismo e a globalização como fatores preponderantes à perda de identidade do individuo, e a busca por ela se torna uma bengala existencial. O individuo então procura e cria mitos para se sentir seguro no meio onde ele sentiu perder todo o controle. E como o título do trabalho denuncia, o foco são os "mitos ordenadores" criados pelo Poder Branco Paulista, a primeira organização neo-nazista skinhead brasileira.

Obviamente, a pesquisa histórica remete à Inglaterra, e mostra como organizações políticas, em especial o National Front, busca recrutar os jovens insatisfeitos.
Havendo uma dissidência da cena punk com idéias mais conservadoras, o partido começa a patrocinar bandas com tais visão, como o Cock Sparrer e posteriormente Last Resort, Condemned 84 e Combat 84, todas participaram de eventos patrocinados pelo National Front.

"a afinidade central do Cock Sparrer era com o reino, com a rainha,
súditos da rainha (...) patriotismo(...) a gente nunca foi radical, o
pessoal que seguia a gente era (...) "
C.S., Cock Sparrer .


Bom, nessa ele, claro, chega ao Screwdriver e bandas posteriores... pois bem, o que eu acho interessante mesmo do livro é o segundo capítulo, que mostra os partidos fascistas brasileiros tentando replicar o que foi feito na Inglaterra, e aí ele cita três figuras grandes fascistas que se aproximam dos Carecas do Subúrbio procurando neles um braço armado nas ruas e também um meio de recrutamento de mais jovens. As três figuras seriam ALC, AO e AZ, o autor não cita nomes mas destes eu não vou deixar barato:

ALC - Anésio de Lara Campos: já vinha do PRP (Partido da Representação Popular) fundado pelo Plínio Salgado. Em 85 com o fim da ditadura ele reorganiza a AIB (Ação Integralista Brasileira), em 88 funda a Ação Monárquica Imperial e o PARNASO (Movimento Participativo Nacionalista Social) e até chegou a tentar se candidatar à presidência da república pelo Movimento Monárquico Imperial Brasileiro... ou seja, um fascista megalomaníaco com sérios problemas na cabeça!

AO - Aldo Onesti Mônaco: pertenceu à Juventude Fascista Italiana, integrou aqui PNSB (Partido Nacional Socialista Brasileiro) e depois fez parte do AIB. Também é um escritor revisionista e teve livros publicados pela editora Revisão, de Siegfried Ellwanger Castan, outro perturbado fã de grandes ditadores.

AZ - Armando Zanine Pereira Junior: funda em 85 o PNSB e é mentor de pelo menos três outras organizações nazi/fascistas, o Partido Nacionalista Revolucionário Brasileiro, o Partido Nativista e a Força Nacionalista Brasileira.

Estes sujeitos e suas organizações passam a financiar os Carecas do Subúrbio, seus eventos e bandas.

"Quanto  àqueles  que hesitavam em se filiar às organizações, algumas formas de cooptação foram  utilizadas.  Sem  citar  o  nome  de  uma  organização  especifica,  alguns entrevistados disseram que, de um modo geral, todas elas ofereciam cargos dentro da estrutura e financiamento de shows."


E aí começa os conflitos internos envolvendo ideologias e tendencias diferentes, as dissidências que formam os Carecas do ABC e o Poder Branco Paulista mas isso vou deixar a cargo do autor contar e tu vai saber se ler.
O terceiro capítulo se trata de uma análise dos mitos criados pelo Poder Branco Paulista: A supremacia branca, A Secessão de São Paulo e o Sul do resto do país, A conspiração judaica para dominar o mundo.
Essa parte é bem chata porque tenta analisar cada frase e motivação para cada mito, e é cheio de trechos de textos extraídos de fanzines regados a pseudo-ciências racialistas (que apelam até para divindades) e hipocrisias. O autor leva cerca de 30 páginas pra falar: "São um bando de idiotas" - não, o autor não diz isso, em fato, sua imparcialidade é bem incomoda.

Pra fechar, todo o conservador, reacionário e moralista é, por definição, um cagão. Ele tem medo da mudança e por isso se fecha em uma tradição, identidade, verdades únicas/mitos e qualquer merda assim, porque não passa de um covarde. E nas palavras do autor "O Poder Branco Paulista" como o resto da cena Careca "nutre a simpatia por estas ideologias, pois elas não permitem a existência da dúvida, um sentimento que provoca apreensão e agonia." - ou seja, fracos e medrosos.